Até na crise falta gente para trabalhar …
Postado por Renata Conrado • mai 18th, 2009 • Categoria: GESTÃO DE PESSOASO que acontece? Escrevo um daqueles textos que incomoda a muitos e ao mesmo tempo oferece uma identificação a outros, mas o mais importante não é de que lado você se posiciona, e sim entender a raiz da questão e buscar a oportunidade que apresenta.
Durante a maior parte de minha vida trabalhei em três grandes multinacionais: Shell, Parmalat e Nestlé. Comecei como estagiário e, como tal, trabalhei demais em busca do reconhecimento que me permitiria alçar maiores vôos. Não foi fácil … muito trabalho, muita pressão, muitas horas, muita análise e, principalmente, muito esforço. E desta forma progredi e vi outros progredirem.
Quinze anos rapidamente se passaram e, de repente, comecei a perceber que o conceito do que é importante para progredir mudou e muito. Incrivelmente passo a refletir sobre como em um curtíssimo espaço de tempo tornei-me uma geração “anterior” e, infelizmente - meu ponto de vista - a nova geração dentre tantas vantagens, qualidades e a natural evolução, apresenta um desvio de rota. Acredita que existe almoço grátis. Se considera melhor do que tudo e todos e confunde individualidade com egoísmo e egocentrismo exacerbado. Repito: escrevo isto, não com o descaso de quem emite uma crítica meramente por emitir e sim com a preocupação de quem é pai e quer ver os filhos brilharem de forma madura e consistente. De quem é empregador e precisa cada vez mais de talentos.
Bem, conversando com meus contemporâneos e também com nossos ex-empregadores / chefes, percebo que esta preocupação é mais extensa do que meus meros pensamentos e que o entendimento do problema e suas soluções ainda está por acontecer.
De repente, me pego na rede lendo um artigo de dezembro de 2008 da Época Negócios: “A exigente (e instável) geração do milênio”. Excepcional, pragmático, elucidativo e ainda sem soluções … Permitam-me fazer um breve resumo
1. É cada vez mais difícil contratar e reter talentos.
2. Sobre quais gerações refletimos:
• Baby boomers – nascidos entre a Segunda Guerra e 1960
• “Geração Sanduíche” – forma como chamo minha geração, os nascidos entre 1960 e 1980
• “Geração Y” ou “Geração do Milênio” – nascidos entre 1980 e 2001, e objeto deste meu ponto de vista
3.Uma radiografia extensa da “Geração Y” acaba de sair nos Estados Unidos sob o título The Troph Kids Grow Up: How the Mittennial Generation Is Shaking Up the Workplace ( algo como, “Os garotos(as) premiados(as) cresceram: como a geração do milênio transforma o ambiente de trabalho”), escrito pelo jornalista americano Ron Alsop, do Wall Street Journal.
4.Quem são estes jovens segundo o livro:
• Chegam ao mercado com expectativas exageradas sobre a carreira, que geralmente não coincidem com as de seus empregadores
• Cresceram num ambiente superprotetor, mimados por pais e professores e foram habituados a receber troféus por suas conquistas infantis
• Têm uma confiança elevada nas próprias competências e costumam se irritar quando o empregador não partilha dessa avaliação
• Acham que têm condições de se tornar CEO de um dia para outro
• Adoram receber feedback desde que seja muito positivo. Ficam amuados quando recebem críticas
• Segundo uma pesquisa da CareerBuilder.com, eles querem:
- De imediato salários altos (74%)
- Horários flexíveis (61%)
- Promoção antes de completar um ano na empresa (56%)
- E um pouco mais de tempo livre e férias (50%)
Bem, eu também sempre quis o melhor e até mesmo algo parecido com o que vemos acima, mas agora vem o ponto (ou contraponto crucial):
Apesar das exigências que fazem, estes não se sentem amarrados a elas. Se o trabalho deixa de ser gratificante, o abandonam sem pensar duas vezes, até porque não os incomoda a idéia de voltar atrás se necessário.
Posto tudo isto, se levarmos em consideração que esta turma tem um outro lado da moeda, lado este que é crucial e de grande valor: agressividade positiva, alto estima, capacidade de lidar com múltiplos problemas e aí por diante, o que se faz necessário é uma reflexão por duas vias:
- Âmbito empregador: como selecionar, motivar e reter os talentos desta nova geração
- Âmbito geração Y: como gerenciar a ansiedade e perceber que a fidelidade traz frutos positivos
Dentro deste contexto, proponho uma discussão que avalie os diversos pontos de vista que podemos enxergar para o caso, e a cada quinze dias prometo trazê-los como caminhos possíveis para equacionar os dois níveis de expectativa, pois o crescimento do Brasil exige uma nova geração de executivos competente e madura.
Fonte:INVENT
Renata Conrado é formada em Marketing e apaixonada pela área. Tem nove anos de experiência no varejo - vendas e gerência - segmento de moda feminina.
Entre em contato | "Seus mais insatisfeitos clientes são sua maior fonte de aprendizado." Bill Gates